Anos 60

Em 1º de Março de 1960, Elvis partiu da Alemanha rumo aos EUA e no dia 8 concedeu uma conferência de imprensa no escritório do pai Vernon, em Graceland.

Ainda em Março, Elvis “surpreendeu” o mundo ao aceitar o convite para participar do programa de Frank Sinatra, "The Frank Sinatra Show - The Timex Special". Na verdade, Elvis e Frank nunca haviam tido contato algum nem tão pouco pontos em comum. Frank também nunca havia sido um “entusiasta” ou incentivador da carreira de Elvis. Mesmo assim, Elvis aceitou o convite de Frank Sinatra, realizando uma de suas melhores performances na TV. Esta edição do programa ficou conhecida como “Frank Sinatra’s Welcome Home, Elvis”. Este show selou, a partir de então, uma relação de cordialidade com seu anfitrião, sua filha Nancy Sinatra e com Sammy Davis, Jr. que perduraria ao longo de sua vida.

O programa bateu todos os recordes de audiência do ano, inserindo Elvis em uma nova faixa de público.

Em Julho de 1960, o viúvo Vernon se casa com Dee Stanley, que conhecera na Alemanha enquanto a mesma também estava lá acompanhando o marido militar a serviço, juntamente com seus três pequenos filhos: David, Billy e Rick.

Dee se separa do marido, inicia um romance com Vernon e após o retorno dos Presleys para os EUA, Vernon decide trazer Dee e os filhos para morar em Graceland por algum tempo até se mudarem para a própria residência deles, nos arredores de Graceland. Todo este episódio foi motivo para um grande entrevero entre pai e filho, já que Elvis considerava ainda recente o falecimento da mãe e uma falta de respeito por parte do pai, que se casasse novamente em tão pouco tempo assim. Elvis preservava Graceland como sendo a maior memória que tinha de seus últimos tempos com sua mãe, já que a mansão havia sido decorada por ela. Era difícil para Elvis aceitar outra mulher lá dentro tentando “preencher” o espaço que sua mãe deixara. Apesar de ter recebido os filhos de Dee muito bem e sem reservas de nenhum tipo (mais tarde todos os três viriam a trabalhar em sua equipe de segurança), Elvis não tinha bons sentimentos em relação às intenções verdadeiras de Dee com relação ao seu pai. E o tempo viria a mostrar que Elvis não estava errado.

No cinema, Elvis contou com a sensível direção do veterano Don Siegel no filme “Flaming Star”, seu 6º filme. Um novo reconhecimento da crítica aclamado como um de seus mais bem sucedidos filmes em qualidade, ainda que tenha, curiosamente, desapontado seu público, exigente de películas mais musicais e menos dramáticas. Ainda em 1960, Elvis novamente surpreende e lança um álbum gospel - contrariando o seu empresário e os proprietários da gravadora - que não viam com bons olhos um trabalho nesse gênero musical. Entretanto, seguindo seu instinto e de certa forma querendo homenagear sua mãe, ele participa de toda a parte de produção e no final do ano o álbum é lançado tornando-se um grande sucesso de público e crítica.

Em 1961, Elvis realizou shows em Memphis e no Hawaii com grande sucesso de crítica e público. No mesmo ano, Elvis foi homenageado com o "Dia Elvis Presley", tanto na cidade de Memphis como no estado do Tennessee. Elvis provava que sua ida ao Exército e o fim da década de 50 não abalara seu sucesso e que alguns de seus álbuns na década de 60 tornariam-se clássicos, sendo avaliados como alguns dos melhores de sua carreira.

No período de 1960 até 1965, os seus filmes são um grande sucesso de público no mundo inteiro. Alguns críticos mais generosos, ainda que implacáveis acerca da qualidade duvidosa das películas, clamavam por melhores oportunidades e personagens para Elvis Presley. Ainda assim, sua versatilidade esteve presente e atuou em vários gêneros, sendo elogiado por algumas de suas performances, mesmo os roteiros não sendo avaliados como satisfatórios. Elvis conseguia fazer a sua parte com méritos, mesmo não possuindo material de qualidade - entre os gêneros apresentados em seus filmes podem ser destacados, "musical", "faroeste", "drama" e "comédia".

Os maiores e melhores destaques nesse período foram, Flaming Star (1960), Wild In The Country (1961), Follow That Dream (1962), Kid Galahad (1962), Fun in Acapulco (1963), Viva Las Vegas (1964), Roustabout (1964).

Paralelo a isso, a vida pessoal de Elvis começa a sofrer algumas mudanças: não bastasse o súbito casamento de seu pai em 1960 e a chegada dos três pequenos enteados na família, em 1962, Elvis - com a ajuda do pai Vernon - convence o Capitão Beaulieu a deixar Priscilla, então com 17 anos, a viver em Memphis, sob a custódia de Vernon e Dee, prometendo então cuidarem de Priscilla e da conclusão de seus estudos. Embora tenha concluído os estudos como prometido, Priscilla jamais ficou sob a guarda de Vernon e Dee, como seu pai acordara com Vernon. Desde o início, Priscilla foi morar em Graceland com Elvis e precisou se adaptar aos seus hábitos noturnos – que preferia dormir durante o dia e ficar acordado ao longo da noite por se sentir melhor assim.

Durante as filmagens de "Viva Las Vegas", em 1963, os protagonistas, Elvis e Ann-Margret, sueca de beleza estonteante, apaixonaram-se intensamente, o que certamente contribuiu para os ótimos resultados do produto final. E muita especulação na mídia... Uma furiosa Priscilla soube dos rumores de que Elvis chegara a pensar em terminar tudo com ela para ficar com Ann-Margret. Teria sido um grande escândalo para a vida e carreira de Elvis porque a existência de Priscilla “escondida” em Graceland teria vindo à tona certamente. Dizem que de algum jeito, o Coronel teve “participação” para demover Elvis da idéia de ficar com Ann Margret, por motivos óbvios já relatados acima. Como gota d’água, aconteceu o fato de Ann dizer aos jornalistas que se casaria com Elvis muito em breve. Desta feita, Elvis recuou e o romance entre os dois “esfriou”. Priscilla, portanto, “sobreviveu”.

Apesar dos “bastidores quentes”, o filme "Viva Las Vegas" é considerado um de seus melhores momentos no cinema, sendo muito elogiado até os dias atuais.

A partir de 1965, seus filmes perderam muito em termos de qualidade de roteiro, configurando período de grande alienação e tédio pessoal para Elvis.

No dia 27 de agosto de 1965, Elvis e a banda inglesa The Beatles tiveram um encontro na casa de Elvis em Los Angeles, a pedido dos Beatles e promovido pelo Cel.Parker. Testemunhas do encontro dizem que ouve uma breve “jam-session”, contudo, não se tem conhecimento de qualquer produto áudio/visual relevante. Algumas poucas fotos alusivas a este encontro são fotos em que os Beatles aparecem saindo da casa de Elvis.

Em Dezembro de 1966, Elvis finalmente pede Priscilla em casamento. Afinal de contas, ele já estava à beira de seus 32 anos e era hora de ter sua própria família. E Priscilla esperava ansiosamente por isso há muitos anos.

No período de 66/67, Elvis realiza várias sessões caseiras, onde ele interpreta várias canções de vários estilos e épocas distintas, mostrando um talento intuitivo e natural. No entanto, essas gravações só caíram no conhecimento do público, em sua grande maioria, no final da década de 90.

Apesar da fase de pouca qualidade de seus filmes, o ano de 1967 será lembrado pelo lançamento do disco que seria considerado um "divisor de águas" na carreira de Elvis, o gospel “How Great Thou Art”, decorrente de radical mudança em sua produção musical. O álbum surpreendeu o mundo e gradativamente, transformou-se em um grande sucesso de crítica e público, sendo posteriormente, agraciado com um honroso Grammy, o Oscar da música.

Com boas produções e peças esmeradas, Elvis Presley dera indícios de sua vitalidade e criatividade, ainda em franca ascensão e plena maturidade musical. Fundou-se, portanto, um tempo de bons arranjos e melhor seleção musical. Ocorreram profundas mudanças em seus próprios tons vocais (tessitura vocal) e, conseqüentemente, em seus registros. Gradativamente, a própria extensão seria privilegiada, com comprometimento da afinação.

Em 1º de Maio deste mesmo ano, Elvis Presley aos 32 anos finalmente casa-se com Priscilla Ann Beaulieu, 21 anos. O matrimônio foi realizado na cidade de Las Vegas no Alladin Hotel e todos os preparativos foram feitos de forma bastante sigilosa e sob a batuta do Coronel Parker.

Nesse período, entre 1967 e 1968, foram lançados alguns compactos muito elogiados, muito criativos e interessantes. Este material veio das sessões de gravação ocorridas ainda em 1966, mais precisamente em Maio e Junho, onde o repertório foi sendo aprimorado qualitativamente, gerando além do álbum "How Great Thou Art", outras canções de grande nível como "Indescribably Blue", "I'll Remember You" e "If Every Day Was Like Christmas".

O mesmo pode ser percebido em 1967 em canções como "Suppose", "Guitar Man", "Big Boss Man", "Singing Tree", "Mine", "You'll Never Walk Alone".

Em 1º de Fevereiro de 1968, exatamente nove meses após o casamento, nasce a única filha de Elvis e Priscilla, a menina Lisa Marie. Firmou-se desde o início um forte vínculo entre pai e filha que permaneceria intacto até a morte de Elvis – vínculo este somente comparável ao que Elvis um dia tivera com sua própria mãe Gladys.

Entre Junho e Julho de 1968, Elvis viveu em função da produção do especial que viria a ser conhecido como “68’ Comeback Special”.

Em Dezembro de 1968, Elvis Presley apresentou-se nacionalmente para a TV norte-americana, trazendo o tão esperado “Elvis NBC TV Special”.

Um mega-programa que, a posteriori, seria considerado o primeiro dentro dos moldes “Acústico” na história da música. Em performance considerada até os dias atuais como excepcional, Presley foi aclamado pelo público e crítica especializada, que dizia ser este “o retorno de um Elvis ousado e reinventado”.

Interessante destacar aqui que o Coronel Tom Parker, “lendário” empresário do artista, vislumbrara um programa tradicional e conservador, já que se aproximava a época de festejos de Natal. No entanto, devido a grande empatia estabelecida entre Presley e o então jovem produtor Steve Binder, realizou-se um espetáculo contundente e marcante.

Neste especial que foi ao ar poucos meses após a morte de Martin Luther King (assassinado em abril na cidade de Memphis) - no auge do racismo - Elvis apareceu ao lado do grupo vocal "The Blossoms", composto por três mulheres negras (Fanita James, Jean King, Darlene Love) no horário nobre, fato que causou uma grande polêmica.

Um trabalho reconhecidamente antológico e pioneiro.

Foram apresentados alguns clássicos dos anos 50, algumas músicas da década de 60 e, ainda outras, inéditas. "Tiger Man", "Baby, What You Want Me To Do", "Up Above My Head", "Nothingville", "If I Can Dream", "Memories" e "Saved", estiveram no roteiro de um programa dividido em sets; entre "jam sessions" eletrizantes e performances clássicas em cenários monumentais e arranjos grandiosos - elaborados pela competente orquestra da NBC.

Elvis Presley atingira maturidade artística.

No ano de 1969, Elvis retornou aos palcos, após oito anos longe do contato direto com o público. O lugar escolhido foi Las Vegas, onde passou a realizar pelo menos duas temporadas anuais, aclamadas pela crítica e público.

Entre 1969 e 1977, Elvis faria em torno de 1.100 shows ao todo. Vegas foi para Elvis, na verdade, sua grande “escola” em termos de performance em palcos.

A partir de 1969, Elvis Presley amadureceria sua performance e se tornaria um cantor experiente e com domínio cênico, além de ser avaliado como fantástico, exuberante e no auge pela crítica da época. O ano de 1969 também seria marcado por sessões de gravação muito produtivas e pela escolha de um repertório e equipe musical de grande qualidade. A resposta foi imediata: "Suspicious Minds", "In the Ghetto" e "Don't Cry Daddy" tornaram-se "big hits" em todo o mundo.

Por razões contratuais, Elvis concluiu seus últimos filmes, que pouco interesse despertou – muito menos a um Elvis “reinventado” em criatividade, vigor e emoção!

 

Anos 70

O ano de 1970 denotou um grande amadurecimento cênico e vocal de Elvis Presley, em relação ao anterior. Novas temporadas em Las Vegas ocorreram, com mudanças radicais em repertório - mais versátil e atualizado para aqueles dias - shows avaliados como eletrizantes, tanto pela crítica como pelo público - e com roteiros mais elaborados. Muitas dessas apresentações foram gravadas e deram origem a discos como "On Stage".

Apesar do grande sucesso, segmentos da crítica e dos estudiosos do “show-biz” temiam que a rotina de espetáculos em Vegas pudesse tornar Elvis alienado e desmotivado, o que definitivamente não ocorreu. Após 1969 (quando de seu retorno às apresentações ao vivo), Parker e Presley iniciaram uma série de grandes espetáculos históricos e considerados magistrais, mesmo na época de sua realização; e inventaram, gradativamente, uma nova concepção de shows: os "mega-tours".

Entre 27 de Fevereiro e 1º de Março, Presley fez seis shows no Estádio Astrodome, em Houston, Texas, onde quebrou todos os recordes de público, reunindo 43.000 pagantes na quarta apresentação. Os seis shows juntos registraram total de 208.000 pagantes. Um recorde impensável para a época!

No mesmo ano de 1970, Elvis surpreendeu o “show-biz” com a realização do documentário “That's The Way It Is”, filmado nos meses de Julho e Agosto, com cenas de estúdio e ao vivo. O mesmo foi lançado no final do ano de 1970 nos EUA e em 1971, aqui no Brasil.

O documentário foi recebido com sucesso estrondoso, particularmente no Japão, onde quebrou recordes de público, com filas intermináveis. Tornou-se um mega-sucesso, dirigido pelo então jovem e talentoso diretor Dennis Sanders. Elvis agora era um artista maduro e um "entertainer" cativante, para vários tipos de públicos – de crianças, passando por adolescentes, moças, senhoras, homens e mulheres... O karatê, uma de suas paixões desde os anos 50, passou a ocupar ainda mais espaço cênico em suas coreografias.

No final do ano - a fim de atingir mais um de seus objetivos - Elvis consegue ser recebido na Casa Branca pelo então Presidente dos EUA, Richard Nixon, com a firme intenção de se colocar a disposição de seu país para obter um emblema de agente do FBI com poderes para atuar contra o narcotráfico, através de sua música, sua arte e seu grande “appeal” junto a vários tipos distintos de público, especialmente os jovens.

Em Janeiro de 1971, Elvis foi agraciado com uma premiação concedida pela "Câmara Júnior de Comércio Estadunidense”, (“The Jaycees Award”) sendo considerado um dos dez “jovens homens” mais importantes da América em 1970.
Para Elvis, um homem que cresceu na pobreza e em seu início de carreira conheceu o estigma do “ridículo” até atingir os dias áureos de reconhecimento – este foi um de seus momentos de maior orgulho pessoal. Era o verdadeiro sinal de que Elvis havia alcançado aceitação, reconhecimento e respeito pelo seu trabalho e pelo ser humano que ele era.

Em Junho de 1971, uma longa parte da “Highway 51 South”, localização de Graceland, passa a se chamar “Elvis Presley Boulevard”, em homenagem ao seu ilustre morador.

Em Setembro de 1971, o prêmio denominado Grammy Lifetime Achievement Award, uma espécie de "conjunto da obra", foi concedido pelo Grammy ao Rei do Rock.

Apesar de tanta glória, sucesso e reconhecimento, a vida pessoal de Elvis não ia bem. No início de 1972 Priscilla vai embora de Graceland e leva Lisa Marie com ela para viver em Los Angeles. Em Julho de 1972 a separação foi formalizada. Foram anos conturbados de casamento e Priscilla não suportava mais viver a realidade de ter o marido sempre longe de casa e estar rodeada das evidências de traição freqüente por parte de Elvis. O casamento de Elvis e Priscilla chegava ao fim após quatro anos e meio – embora o divórcio só tenha se consumado em Outubro de 1973 – causando a ele um imenso e definitivo impacto emocional e uma progressiva deterioração em sua saúde. Este foi o segundo mais duro golpe na vida de Elvis, após a perda da mãe em 1958.

Voltando à carreira - entre 1970 e 1972, Elvis Presley realizou, com enorme êxito, várias turnês pelos EUA e, motivado pelo grande sucesso de "That's The Way It Is", um novo filme foi idealizado. O foco deste novo documentário seria o de capturar a intimidade e o ritmo frenético do astro e seus fãs nestas empreitadas.
Então, em 1972, concluiu-se o documentário “Elvis on Tour”, de concepção bastante moderna para a época e que foi vencedor do Globo de Ouro daquele ano em sua categoria.

Também em 1972, Elvis apresentou quatro mega-espetáculos em Nova Iorque, no lendário Madison Square Garden. Novos recordes foram quebrados - de público e arrecadação. A imprensa local foi ao delírio com ótimas críticas, como as do "New York Times": "É lindo por que ele faz o que sabe fazer de melhor. Sexta feira à noite, no Madison Square Garden, foi assim. Ele ficou ali parado, no final, seus braços abertos, a grande capa dourada dando-lhe asas. Um campeão. Único em sua liga.", ou então, "Como um príncipe de outro Planeta". Grandes celebridades do "show-business" estiveram presentes aos shows, amplamente noticiados em todo o mundo, inclusive no Brasil. Entre outros, Art Garfunkel, Eric Clapton, John Lennon e David Bowie, mostraram-se encantados.

Mesmo considerando que em 1972 a vida pessoal de Elvis passava por um “turbilhão”, ironicamente Elvis viveu um ano triunfal profissionalmente, retornando, glorificado, ao primeiro lugar das paradas mundiais de sucesso com a canção "Burning Love".

Além disso, foi em 1972 que Elvis recebeu seu segundo prêmio Grammy, também por uma obra gospel, o disco “He Touched Me”.

Em Junho de 1972 conheceu a Miss Tennessee Linda Thompson, romance este que deu um novo ânimo à vida e à carreira de Elvis. Linda e Elvis eram muito parecidos em termos de criação e costumes por serem ambos sulistas – e Linda o compreendia de forma fantástica. Sabia como lidar com os “ups” e “downs” de Elvis e vivia a vida de Elvis em tempo integral agüentando a dura rotina e o ritmo de um megastar do seu quilate. Em poucos meses de relacionamento, Elvis levou Linda para viver com ele em Graceland e os dois ficaram juntos por mais de quatro anos.

Em 1973, apesar de estar passando por problemas pessoais e de saúde - mas no auge como artista - Elvis Presley realiza em 14 de janeiro, o primeiro show via satélite na história do “show-biz”, transmitido ao vivo para muitos países - inclusive o Brasil (pela Rede Tupi) e, posteriormente, para quase todo o planeta. O especial “Aloha from Hawaii”, foi assistido por aproximadamente 1,5 bilhão de telespectadores - número surpreendente para aqueles dias.

Além de ter sido um feito inédito no mundo do entretenimento - como não poderia deixar de ser - este show teve 100% de sua renda com ingressos e “merchandise” revertida em prol da “Kui Lee Cancer Fund” e arrecadou ao todo, US$75.000 para a mesma.

Nos EUA, este evento logicamente foi sucesso estrondoso, contudo só foi ao ar em Abril de 1973, tendo recebido o seguinte comentário no editorial do jornal The New York Times: "Elvis superou sua própria lenda”!

No Brasil, o “Aloha from Hawaii” foi ao ar novamente em Abril de 1974, com grande êxito. O álbum duplo foi imediatamente colocado no mercado, atingindo rapidamente o marco de um milhão de cópias vendidas.

A partir de 1974, apesar do aumento dos problemas pessoais e uma crescente piora em sua saúde, Elvis consegue empolgar em muitos de seus shows. Seus espetáculos foram se transformando e havia prioridade pela qualidade e grandiosidade das canções. Sua voz inegavelmente atingia cada vez mais o seu ápice.

Apesar de tudo isso, o ano de 1974 foi sob o ponto de vista artístico, muito criativo para Elvis Presley e poderia ter se tornado a pedra fundamental para uma nova grande guinada em sua carreira e vida pessoal. Isso aconteceu em parte, especialmente devido a alguns espetáculos em Las Vegas, onde Elvis inovou em seu repertório, bem como em seus trajes que eram bastante distintos em relação aos usados até então. Eram “jumpsuits” cada vez mais elaborados e diferenciados.

Ainda em 1974, após 13 anos ausente dos palcos de Memphis (sua cidade de coração, aonde vivia de fato) Elvis voltou a apresentar-se em 20 de Março, de forma magnífica. O show deste dia foi gravado (é o CD “Elvis Recorded Live On Stage in Memphis”), garantindo-lhe seu terceiro prêmio Grammy por esta performance de "How Great Thou Art", um clássico gospel.

Ainda em Março de 1974, Elvis retornou ao Estádio Astrodome em Houston, Texas para fazer dois shows, batendo novos recordes de pagantes.

Até hoje, ambos os feitos expressivos são referenciados como de grande relevância em sua carreira, por fãs e interessados em sua música e história.

Em Agosto de 1974, de volta a mais uma turnê em Las Vegas, Elvis e Barbra Streisand conversam por várias vezes sobre a proposta de Elvis atuar como ator principal junto a ela no remake do filme “A Star is Born” (“Nasce uma estrela” aqui no Brasil). Elvis fica empolgadíssimo com a idéia de voltar às telas em um filme com bom roteiro. Ele ainda aspirava ser um ator levado a sério pela crítica. Nesta fase de sua vida, Elvis estava começando a ficar cansado das constantes turnês, sua saúde vinha piorando progressivamente, suas performances começavam a ser “sofríveis” e ele definitivamente precisava de um novo desafio para dar uma nova guinada. Infelizmente, o Coronel Parker não concordou com as condições do projeto de Barbra e a proposta então não foi em frente, deixando Elvis mais uma vez muito frustrado. O papel então foi repassado ao cantor country Kris Kristofferson e o filme foi um grande sucesso de crítica e bilheteria.

Elvis andava muito insatisfeito com os rumos dados à sua carreira por seu empresário Tom Parker - repertório, gravadora, Las Vegas, turnês, recusas de bons roteiros cinematográficos etc.

Elvis chegou a demiti-lo, mas posteriormente, voltou atrás. O motivo principal foi o fato de Elvis não ter condições financeiras para arcar com as cláusulas que instituíam multas milionárias, constantes no contrato entre ele e seu empresário, em caso de haver rompimento. Além de vir gastando o que ganhava de forma excessiva – muito em parte por conta de sua grande generosidade e por querer sempre ajudar os outros, Elvis fizera há um ano atrás um acordo milionário quando concluiu o divórcio de Priscilla.

Não que Elvis estivesse “quebrado”, mas não havia como arcar com a milionária indenização que seria devida ao Coronel Parker.