ENTREVISTA COM JOE TUNZI

Joe Tunzi é bem conhecido no mundo “Elvis” por ter publicado em torno de 20 livros, 2 DVD’s e 3 CD’s especiais BMG desde o fim dos anos 80. A qualidade dos seus livros, com fotos inéditas, têm feito a alegria de muitos fãs ao redor do mundo.

Jacquie: Primeiramente Joe, nós gostaríamos de agradecer muito por nos conceder esta entrevista. Para começar, você poderia nos contar quem é Joseph Tunzi e como foi que começou todo esse envolvimento com a carreira de Elvis?

JT: Bem, antes de mais nada, obrigado pelo cumprimento. Respondendo à sua pergunta: sou fã de Elvis desde que me conheço como gente. Vi Elvis ao vivo pela primeira vez em 1972 e depois deste dia eu assisti a vários shows de Elvis. Eu o encontrei pessoalmente em Out/1976 – e a foto da capa do livro “América the Beautiful” foi tirada naquele mesmo dia. Ele estava com peso controlado e pela foto você pode ver como ele estava formidável na época.

Jacquie: Você poderia enumerar todos os livros sobre Elvis que você fez do início dos anos 90 para cá?

JT: De fato foi em 1988 quando eu lancei o meu primeiro livro. Era um livro bem diferente do que os posteriormente lançados. Era uma paródia sobre todos os guia de referência de preços de itens Elvis que existia naquela época, os quais eu achava muito subjetivo. Lancei meu primeiro livro de fotos “Encore performance” em 1990. O formato de livro originado nesta obra passou a ser o formato pelo qual as pessoas conheciam meus livros. Lembro-me de que naquela época me desapontava o fato de que a maioria dos livros com fotos raras não tinham observações sobre aonde e quando a foto havia sido tirada. Os pouquíssimos que continham observações, infelizmente não eram acurados o suficiente. Contudo os livros de Ger Rijff eram muito bons. Tinham fotos de alta qualidade e fatos corretos, bem como “reviews” de Jornais que te davam uma noção real do que se passava. Penso que Ger cobriu os anos 50 de forma espetacular e eu queria muito fazer o mesmo para os anos 70. Ao todo, eu já lancei 19 livros sobre Elvis.
Aqui vai a lista dos livros que já fiz até o momento:
1) The 1st Elvis Video Price and Reference Guide - 1988
2) Encore Performance - 1990
3) Elvis 69 The Return - 1991
4) Elvis Hawaiian Spirit - 1992
5) Encore Performance II In The Garden - 1993
6) Sessions I - 1993
7) Standing Room Only 1970-5 - 1994
8) Elvis 70 - 1994
9) Highway 51, Memphis Tennessee - 1995
10) The Lost Photographs 1948-69 - 1995
11) Enter The Dragon - 1996
12) Sessions II - 1996
13) Tiger Man: Elvis '68 - 1997
14) Photographs and Memories - 1998
15) Aloha Via Satellite - 1998
16) Encore Performance III Back To Chicago - 1999
17) Elvis No. 1 The Complete Chart History - 2000
18) For The First Time Ever - 2001
19) America The Beautiful - 2002
Além destes livros, fiz também o “Beatles '65” em 2002, em co-autoria com Mike Eder. Este livro tem uma sessão especial dedicada ao encontro entre Elvis e os Beatles em 1965. É um item imprescindível para fãs dos mesmos...! Note que esta lista ainda não inclui ainda os livros que estão em fase de andamento tais como “Sessions III” e “Rock’n Nassau”.

Jacquie: Sabe-se muito bem que todos os seus livros são parte de um estrondoso sucesso editorial entre os fãs de Elvis. Você poderia nos dizer qual foi o livro mais vendido? Qual é a “era de Elvis” preferida pela maioria dos fãs?

JT: “América the Beautiful” foi o maior best seller até hoje. Sessions I e II também venderam muitíssimo bem. Quanto a “Era Elvis”, eu diria que os anos 70 de modo geral é a era favorita dos fãs, desde que bem representado em fotos de boa qualidade. Elvis sempre se vestiu de forma muito colorida – nos palcos ou fora deles – mas nos anos 70 Elvis colocou muito de sua personalidade nos “jumpsuits” que ele próprio ajudou a desenhar, como sabemos. Os “jumpsuits” permanecem muito populares - mas Elvis parecia trocar muito de aparência nesta época, fossem os cabelos, o corpo etc...
Enquanto na maioria das biografias este fato pode ser enfatizado, quando falamos de livro de fotos este fator traz para nós um produto ainda mais interessante no final.

Jacquie: Eu entendo que todo autor tem um apreço especial pela obra que cria, mas não raro, tem um maior apreço por esta ou aquela obra. Qual foi aquele que você mais gostou de fazer? Porque?

JT: Eu gosto de todos os meus livros realmente e eu não colocaria nenhum deles acima ou abaixo de nenhum outro, entende? É meio como se fossem filhos... Eu simplesmente os fiz da forma mais acurada e informativa possível. Com os livros de fotos, fotógrafos profissionais foram quem tiraram a maioria das fotos. O que eu fiz em vários casos foi contatar arquivos de revistas e jornais que cobriram Elvis durante os concertos. Geralmente quando os artigos eram publicados na época vinham sempre 2 ou 3 fotos juntas. O restante do filme tirado naquela noite, por exemplo, nunca vinham a ser usados e muitas destas fotos eram simplesmente sensacionais. Então, quando eu as coloco em um livro de fotos, elas são fotos de real interesse para fãs e historiadores.

Jacquie: Da mesma forma, eu acredito que algum item da sua fantástica obra, deva ter levado um tempo maior do que o esperado por você, para que pudesse ser pesquisado corretamente. Nos conte um exemplo destes.

JT: Bom, como um produtor e escritor, com certeza não é um trabalho nada fácil não...mas sabe que é muito interessante trabalhar nestes livros. Eu realmente dou tudo de mim para faze-los da forma mais acurada possível, então às vezes isto toma um bom tempo para que alguém possa confirmar um determinado evento ou data. Muitas vezes, até mesmo as “datas oficiais” podem estar erradas, principalmente quando falamos de fotos. Então eu acho que as pessoas que lêem meus livros sabem que vale a pena a espera!!!

Jacquie: Qual a razão para a tendência de preto e branco tão presente nas fotos de suas publicações?

JT: Eu também gosto muito das fotos em preto & branco, porque acho que elas têm uma “aura” especial ao redor delas. Tem outras inúmeras razões pelas quais eu edito fotos coloridas em versão p & b. Um dos motivos é que o p&b traz uma reprodução muito mais limpa e clara principalmente se considerarmos que a foto ou negativo acabam falhando com o passar do tempo. A outra razão é que a foto colorida é muito mais cara para produzir. Eu “banco” a produção dos livros do meu próprio bolso e muitas vezes um simples negativo pode custar centenas de dólares. Eu tenho que acompanhar bem de perto o orçamento previsto para cada livro, de forma que o mesmo possa ter o preço acessível ao consumidor. Eu sei que tem pessoas que pagam um preço realmente caro e não se preocupam por isto. Mas eu diria que nos tempos de hoje a grande maioria tem que ser muito seletiva sobre o quanto custa o que vai ser comprado. Como eu quero atingir a maior camada possível de consumidores, eu tento manter os custos baixos e gerando as fotos em p&b é uma boa forma de fazer isto. De alguns anos pra cá, eu incluí muito mais fotos coloridas nos livros e ainda assim tento fazer com que o preço continue sendo acessível e atrativo. O segredo é você conhecer bem o seu público consumidor e saber o que ele pode alcançar....

Jacquie: Vamos falar sobre os livros “Recording Sessions”. Na época em que foi lançado em 1993, este livro já era fabuloso em termos de informação; a versão revisada e expandida publicada 3 anos depois (Session II) contém mais detalhes ainda... Agora, 7 anos depois, você está prestes a lançar o “Sessions III” – você poderia nos dizer porque você decidiu revisitar este projeto?

JT: Tem diversas razões pelas quais eu estou fazendo “Sessions III”. Este é um livro para fãs e não para o “Estate” ou para uma gravadora de discos, então eu posso cobrir os “piratas/bootlegs” – cujo produto final está dentre dos favoritos pelos fãs.

Jacquie: Eu entendo que o “Sessions III” terá muitas fotos inéditas – muitas delas coloridas. Este seria o caso e – o livro terá o mesmo formato que os “Recording Sessions I e II”?

JT: Temos realmente fotos espetaculares que estamos usando no livro e algumas delas são coloridas. O formato do livro é mais fácil de ser lido e o seu conteúdo será muito expandido. Temos ótimas surpresas planejadas e eu classificaria o livro como realmente interessante!!!

Jacquie:
Com relação aos 3 livros “Recording Sessions”, qual é a sessão (de gravações) mais fantástica na sua opinião, em termos de riqueza de material e porque?

JT:
Eu gosto da carreira de Elvis em todas as suas fases e de fato eu não nego a importância de toda e qualquer sessão de gravação ou de shows. Para mim, tudo que Elvis fez é merecedor de total e absoluta atenção e qualquer nova informação é sempre muito excitante! Eu devo colocar aqui que eu acho que os fãs ficaram muito felizes com a quantidade de detalhes que fornecerei sobre as sessões do TTWII e do “On Tour”.

Jacquie: O “Sessions II” é muito rico em informações sobre as filmagens e as gravações para os filmes “That’s the Way it is” e “Elvis on Tour”. Você conseguiu contudo, mais detalhes sobre o “That’s the way it is” se comparado ao “Elvis on Tour”. Você acha que os fãs podem aguardar então por mais material inédito ainda sobre estes dois documentários?

JT: Em 1996, todas as informações que eu tinha naquela época, foram para o livro “Sessions II” – eu não estava colocando “Elvis On Tour” acima ou abaxo de TTWII. Eu estava mesmo é limitado pelo o que eu não tinha de material no passado. Para o “Sessions III”, a informação é riquíssima também, já que eu descobri praticamente todos os detalhes quanto ao que foi filmado e gravado. A maioria das informações sobre os dois filmes estão sendo lançados publicamente pela primeira vez.

Jacquie: Quando a Warner Bros relançou "That's The Way It Is - Special Edition " em 2001, os fãs ficaram maravilhados com este projeto – e principalmente com o material adicional/músicas extras que vieram nos primeiros DVD’s lançados no Mercado. Posteriormente os fãs ficaram muito desapontados pelo fato de terem retirado “músicas extras” dos DVD’s e também por não ter sido feito nenhum trabalho similar com relação ao “Elvis on Tour” até agora. Você acha que, passados 2 anos daquele projeto (TTWIISE), os fãs podem esperar para um futuro próximo essas cenas inéditas de TTWII e também algum projeto relevante relativo ao “Elvis on Tour”?

JT:
Eu só posso dar a minha mera opinião no assunto, já que eu não estou envolvido com as coisas que a Warner deve ou não deve fazer. Meu sentimento é o de que tudo que é material que tenha valor se tornará público. É apenas uma questão de tempo, do momento certo para isto. Eu acho sinceramente que eles não deveriam ter refeito o “TTWII”, já que esse documentário era fantástico do jeito como foi originalmente lançado. Por exemplo, a música “Bridge Over Troubled Waters” é na minha opinião, a melhor preformance que Elvis já deu em todos os tempos – e incompreensivelmente não consta no novo TTWII. Acho que eles deveriam ter feito um outro “Lost Performances” ou até mesmo ter colocado algumas cenas como faixas extras do TTWII em DVD mas com o conteúdo original. O que aconteceu é que do jeito que foi feito, os fãs puderam gravar isto de graça da TV e foi exatamente isto que a maioria fez. Foi um marketing “insano” e o fato de mexerem com o documentário original, gera olhares distorcidos daquilo tudo. Na minha opinião a maior força do filme original é o fato de ser um documento fidedigno de como Elvis era visto pelo seu público nos idos de 1970. Quando você tenta “reescrever a história”, você perde aquela perspectiva única que somente aquele dado tempo é que pode nos passar. Francamente, o projeto não vendeu bem e foi devido a forma com o DVD eventualmente foi lançado no mercado.

Jacquie:
Porque a Warner não se interessou em viabilizar a exibição de TTWII - Special Edition nos cinemas?

JT: Esta foi uma outra “asneira de marketing”, já que certamente o relançamento teria vendido muitos ingressos de cinema e muitos DVD’s. Olhe para o público de Elvis, muitos ali não tem idade suficiente para terem visto Elvis nos cinemas naquela época. Essa experiência teria sido uma coisa nova e fantástica para essa faixa etária do público! E para alguém que já tivesse visto Elvis nos cinemas no passado, certamente seria um evento fantástico e nostálgico também... Além disso, o público geral costuma responder bem as vendas de DVD quando se trata de um filme que assistiram nos cinemas e cuja boa recordação querem perpetuar dentro de casa...

Jacquie:
Você poderia nos falar um pouco sobre o seu projeto em DVD “The New Gladiators”? Recentemente foi lançado pela “Rising Sun Productions” um DVD com o mesmo nome e que contém muito material ali que foi financiado por Elvis em 1974, embora não contenha nenhuma imagem de Elvis nele. Você poderia nos falar um pouco sobre ambos os projetos, para conhecimento dos nossos leitores?

JT: O DVD não será lançado em nenhum período dentro do futuro breve devido à conflitos sobre propriedade, direitos autorais e algumas despesas imprevistas. Eu diria que muitas cenas excelentes existem – e eu nunca diria “nunca”... A questão é o “se” e “quando” estes pontos serão trabalhados sob o ponto de vista legal... eu não arriscaria uma opinião quanto a isto.

Jacquie: Você pretende produzir outros DVD’s em um futuro próximo? Se sim, você ainda pretende lançar “Hot Shots And Cool Clips –vol.2” e o que os fas devem esperar deste material? Tudo que eu sei de minha parte é que as bases deste material seriam cenas de Tupelo 56 e do Madison Square Garden...

JT: “Hot Shots and Cool Clips – vol 2” teve seu cronograma postergado, mas será lançado sim. Não decidi ainda quanto ao que entrará no formato final do DVD mas eu sei que teremos muitas surpresas ali, até mesmo para o mais exigente dos colecionadores... Se eu usar cenas de “Tupelo 56” ou do show “Madison Square Garden”, quero que sejam cenas de alta qualidade e jamais vistas pelo público.

Jacquie: Seguindo o exemplo do livro “America the Beautiful” e alguns outros que foram lançados acompanhados de um CD promo da “BMG Special products”, você tem intenção de repetir a experiência no futuro?

JT:
Eu não posso descartar nenhuma possibilidade e um amigo me disse que talvez eu devesse fazer um vinil de faixas inéditas/ensaios que jamais se viu neste formato. Eu não tenho planos concretos para agora - mas você nunca sabe... Eu fico feliz em saber que as pessoas gostaram dos CD’s e muito orgulhoso de ver que muitos fãs notaram o árduo trabalho que foi para obter o produto final com o som mixado, da forma que originariamente pretendíamos fazer!

Jacquie: Você já tem uma previsão para o lançamento do livro “Rock’n Nassau”? Você pode falar um pouco sobre o conteúdo dele? Porque você escolheu este show para editar um livro com fotos? Fale um pouco sobre isso aos nossos leitores por favor.

JT: Esse foi o melhor “tour” de Elvis que eu vi pessoalmente. Acho que o concerto em St.Louis (Missouri) em 28/6/1973 é o melhor show de todos os tempos. Vale a pena lembrar que eu sou basicamente o editor do trabalho, já que os fotógrafos foram aqueles que conseguiram gerar todo este fantástico material. É uma situação fabulosa para mim e essas fotos são demais! Elvis estava mesmo em uma excelente fase e forma durante este “tour”, então teremos definitivamente uma visão mais acurada de uma fase em que muitas informações desencontradas apareceram.

Jacquie: Após a publicação de “Rock’n Nassau”, você continuará a fazer livros tematizados em “Elvis’? Se sim, quais são seus projetos em vista? Talvez “TTWII & On Tour”? Ou fotos de algum outro show específico (OMNI in Atlanta)?

JT: Eu não acho que exista algum livro final/definitivo de fotos para cada documentário e penso que cada documentário mereceria ter uma versão definitiva. Acho que vou acabar fazendo isto ao longo do tempo... Planejo continuar lançando livros sobre Elvis já que é sempre muito bom trabalhar com isso! Tenho pessoas ótimas trabalhando comigo e em 2004, você verá um bom número de livros sendo lançados...

Jacquie: Quais as novidades então que os fãs podem esperar para a próxima Elvis Week em agosto? Você tem intenção de relançar algum dos seus livros mais antigos? Eu sei de pessoas que às vezes procuram este ou aquele livro, mas ocorre que está esgotado e sem previsão para relançamento....

JT: Ta bem, ta bem, eu falo... Acho que o “Rock’n Nassau” estará lançado até lá e eu penso que as pessoas gostarão muito do resultado. Quanto aos meus livros antigos serem relançados, bem, esta é sempre uma possibilidade, já que eu não suporto ver as pessoas tendo que pagar preços altíssimos que alguns negociantes costumam cobrar. Não tenho nada planejado para já, mas algumas pessoas sugeriram uma “Edição Especial/Box”, o que eu achei uma idéia bem interessante. Talvez a loja “Loose Ends” em Memphis possa ainda ter alguns destes livros mais antigos para vender também....

Jacquie: Qual a forma para que os fãs no Brasil possam adquirir seus livros e DVD’s?

JT: Nós estaremos aceitando cartões de crédito muito em breve. Enquanto isso, as pessoas que estiverem interessadas em adquiri um livro meu devem me contatar diretamente pelo e-mail: jatpublishing@aol.com e o meu endereço é:
J. A. T. Publishing
PO Box 56.372
Chicago – IL
USA
60656
GEFC

Jacquie: Joe, mais uma vez eu agradeço em nome dos fans brasileiros por todo seu tempo, sua gentileza e sua atenção para conosco. “Thankyathankyaverymuch”!!! Desejamos a você toda a sorte e que você continue tendo o seu grande sucesso de sempre! Continue esse seu grande trabalho, Joe!

JT: Imagina, vocês são bem vindos – obrigada a vocês!

Agradecemos imensamente à Joe Tunzi por esta entrevista tão descontraída e desejamos todo sucesso do mundo para ele em seus projetos atuais e futuros!